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  • Foto do escritorPaola Frizero

SOBREVIVÊNCIA DO SETOR DE TURISMO PÓS COVID-19

Olá, tudo bem com você?

Hoje te convido a trocar o cafezinho por um chá, bem quentinho, e vir aqui refletir um pouco comigo, pois o assunto é sério!



Fazem exatamente dois meses que o mundo parou (sim, para você que chegou bem depois disso tudo, o MUNDO parou!). Além disso, neste ano completo dez anos de estrada nos estudos em turismo. O que uma coisa tem a ver com a outra? Nem eu, e acredito que ninguém da área, imaginaria todos os aeroportos, portos, rodoviárias, hotéis... do mundo fechados ao mesmo tempo. Acredito que nem nos meus piores devaneios imaginei a situação que estamos vivendo.

A pandemia da COVID-19 (link no final do texto), que no início era algo completamente desconhecido, se mostrou um vírus completamente letal, já tendo levado milhões de vidas. Passados dois meses temos cenários de lugares que já estão reabrindo, lugares que permanecem em isolamento social e lugares que nem se quer conseguiram fazer o isolamento totalmente. Independentemente do que cada país fez por si (poderíamos ficar aqui por horas falando disso), quero fazer um recorte para a problemática do turismo.

Há no Brasil e no mundo cidades e até mesmo países inteiros que vivem da economia do turismo. Além disso, grandes empresas como operadoras e Cia. Aéreas que dependem do fluxo turístico e o fazem acontecer. Porém, antes de mais nada, precisamos entender o cenário em que se encontrava o setor no período pré-pandemia.

Os anos de 2017 e 2018 foram anos de crescimento em números de pessoas viajando em todo o mundo, mas 2019 já vinha sofrendo com quedas na economia. Com um crescimento mais desacelerado, a Europa, a Ásia e o Pacífico foram os mais afetados. Ainda sim, os números no ano passado fecharam em 1,5 bilhão de chegadas internacionais registradas globalmente. Deste número, 743 milhões de visitantes são somente na Europa, o que representou 51% do mercado global. Além disso, uma característica apontada, em países em desenvolvimento como o Brasil, por exemplo, foi a diminuição nos gastos com o turismo. Somado à desaceleração do crescimento econômico global, ainda temos a incerteza em torno do Brexit ("British exit" - saída britânica- na tradução literal. Esse é o termo mais usado quando se fala sobre a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia), o colapso da Thomas Cook (uma das maiores operadoras de turismo do mundo, que veio à falência com seus 178 anos de operação), e ainda as tensões geopolíticas e sociais no mundo.

O isolamento social para o achatamento da curva de contaminação foi e continua sendo extremamente necessário e como consequência o stop nas viagens, tantos nacionais como e principalmente internacionais. Como resposta à isso, muitos locais e empresas dependentes do turismo passam hoje por dificuldades, tentando se reerguer desde já. Uma das maneiras que vem sendo mais utilizada pelos órgãos de turismo e pelas empresas, é o uso das redes sociais como forma não só de promoção, mas também de conscientização pelo momento em que estamos passamos.

No Brasil, a FGV Projetos desenvolveu o estudo Impacto Econômico do Covid-19, Propostas Para o Turismo Brasileiro. A pesquisa, realizada a partir dos setores de hospitalidade, transportes, bares e restaurantes, agenciamento e operação de viagens, aluguel de imóveis, atividades recreativas, entre outros itens, estima que a reabertura da economia sendo em maio, a retomada gradual das viagens domésticas será entre setembro e outubro e a estabilização das viagens de negócios e eventos a partir de fevereiro de 2021. Assim, a volta do turismo internacional acontecerá em junho de 2021. Estima-se que leve pelo menos 12 a 18 meses de recuperação, uma vez que não só as empresas mas também a saúde econômica das famílias foram extremamente afetadas, o que significa um investimento em itens de necessidades mais básicas, deixando o lazer de lado neste momento. No Brasil, as agências de viagens foram as mais afetadas e os bares e restaurantes um pouco menos atingidos, mas ainda sim com queda de cerca de 60% em sua produção.

Desta forma, estima-se uma queda de 21,5% no PIB do setor, em comparação com 2019. Para recuperar o prejuízo, a pesquisa indica que será necessário que o turismo como um todo cresça em média 16,95% ao ano em 2022 e 2023 e para isso, as principais medidas devem ser: auxílios públicos para manter o setor vivo, "principalmente ao setor aéreo, que é o coração da atividade"; reequilíbrio de contratos de concessão, crédito facilitado às micro e pequenas empresas, redirecionamento dos recursos e esforços para a promoção dos destinos domésticos e crédito ao consumidor. Para finalizar, o estudo considera que uma série de situações devem acontecer para que esta estimativa mínima de prazo aconteça. O sucesso das medidas de isolamento social, as pesquisas em relação a um tratamento efetivo, a descoberta de uma vacina, o número de vítimas, as políticas econômicas e sociais adotadas pelos governos locais para diminuir os efeitos da crise, entre outros fatores, além de um acompanhamento e investimento efetivo por parte do governo, são fundamentais para a recuperação do setor e de sua capacidade de geração de emprego e renda novamente.

Ufa! São muitos números, não é mesmo? Mas, apesar de um pouco complicado, senti que precisávamos falar do assunto, e antes de qualquer coisa é preciso percebermos a importância de entender estes números para entendermos também como está sendo estimado não só o futuro do nosso dia - a - dia, mas também de quem trabalha no setor de turismo. Porém, o mais importante agora é nos cuidarmos e manter o máximo possível o isolamento social, diminuir o número de vidas perdidas e o sofrimento causado por esta pandemia, dos números cuidamos depois.




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